Eu&OMedo

Estava no sofá de casa, achando que estava vendo TV, já na terceira taça de vinho, quando mandei a seguinte mensagem para meu melhor amigo: vamos dar uma volta ao mundo? Contei que tinha feito algumas pesquisas e descoberto que não era necessário ser milionário para dar esta voltinha. O vinho me deixava bemmm mais corajosa do que eu realmente sou (ou era?).

O papo evolui, começamos a pesquisar e achamos muitas referências na internet sobre este tipo de viagem (crédito especial para o site Viravolta e Kiki Around The World) que nos fazia acreditar ainda mais que o sonho era possível. Realmente não era necessário ser milionário, existia uma passagem aérea de volta ao mundo e mais uma série de novas descobertas.

Em maio 2015, eu já estava com tudo encaminhado, tinha comunicado no trabalho minha decisão, fazendo a mudança de algumas coisas para casa de minha mãe, quando meu amigo, que já emitia alguns sinais de desânimo, me pergunta assim: “e se você comprar sua passagem independente de mim? ”.

Fiquei P. da vida. Assim mesmo, com P maiúsculo. “Como assim? Já estou demitida, sem casa, e agora? Agora você não vai mais?” E rapidamente a fantasia de vítima já saiu do meu armário, lavada e passada, para eu vestir e soltar o discurso que eu até iria atrás do meu sonho, mas meu amigo tinha pisado na bola e aquele mimimi básico que sempre acompanha o kit da fantasia de vítima&injustiçado. Era a minha chance de pular fora dessa loucura com uma justificativa até que bonitinha.

Demorei uns quinze dias para entender o que acontecia dentro de mim.

E descobri.

Estava morrendo de medo, medo dos pés à cabeça. Eu não estava preparada psicologicamente para ir sozinha, até ali, eu usava meu amigo como a bengala que me ajudaria a realizar meu sonho. E naquele exato momento, o medo mostrava sua face mais assustadora e começava a me paralisar.

Tive uma idéia, chamei “O Medo” para conversar.

Papo vem, papo vai, consegui entender que o medo faz parte de um conjunto de emoções que vão estar sempre dentro de mim, como a alegria, a raiva e a tristeza, mas que a cada momento um deles podia dominar mais a situação. Sem o medo não daria para seguir viagem, mas poderia mantê-lo sob controle.

Como manter o medo sob controle? Seria possível?  E se acontecer algo com minha família enquanto eu estiver viajando? E se eu me hospedar num hotel que tem baratas voadoras? E se me roubarem todos os meus documentos e dinheiro? E se num país muçulmano eu tiver problemas por ser mulher e estar sozinha?

Primeira coisa, foi separar os medos reais dos imaginários, ou seja, se tiver que acontecer algo com alguém que eu amo, vai acontecer eu estando do lado ou do outro lado do mundo. Descobri que meu seguro viagem cobre uma passagem de volta ao Brasil em caso de qualquer emergência com algum familiar próximo. Se me roubarem todos os documentos, tenho uma pasta de emergência salva no meu e-mail com todos os telefones para cancelar cartões e cópias de todos os documentos. Países que eu julguei arriscado para uma mulher viajar sozinha foram excluídos do roteiro.

É claro que não quero que nada disso aconteça, e se acontecer, não será nada legal, mas estar minimamente preparada controla meu medo e me ajuda a seguir em frente.

No nosso papo, concluímos que poderíamos ir juntos nesta viagem,  desde que eu respeitasse os meus limites, que ficasse claro que esta viagem não é para provar nada para ninguém e eu não precisava ir além do que eu considero aceitável.

Dessa maneira, meu medo diminui de uma forma que foi possível acoplá-lo na minha mochila de mão, na Bibizinha.

E agora, estamos aqui, Eu&Ele, do outro lado do mundo (Austrália!),  prontos para começar a explorar a terra do canguru.

28 Comentários Eu&OMedo

  1. telma Chainça 22 de setembro de 2015 às 20:10

    O pouco que fiquei com você, foi o bastante para te admirar e saber que você é uma pessoa iluminada. Sei que o seu livro da vida , vai ser escrito com experiências maravilhosa que você vai ter. Beijos.

    Responder
    1. Camilla Albani 23 de setembro de 2015 às 05:48

      ahh querida, muito obrigada pelo carinho. é atrás exatamente destas experiências que eu estou. super beijos

      Responder
  2. Barbara 22 de setembro de 2015 às 20:50

    Fantástico esse texto. Inspirador… Precisando trocar umas ideias com meus medinhos tb…

    Responder
    1. Camilla Albani 23 de setembro de 2015 às 05:47

      legal que gostou Barbara! vale a pena chamar eles para um café, viu? podem chegar juntos a importantes conclusões. beijos

      Responder
  3. Sebastião Corrêa 22 de setembro de 2015 às 21:15

    Camila,

    Creio que você está nos demonstrando que aquilo que “fabricamos” e temos condições de deixar de fabricar ou sabotar a linha de produção enquanto o nosso imaginário encontra a verdadeira solução. Ocorre que nós ditos seres humanos somos mestrados em dizer “eu não consigo” e assistindo uma palestra sábado, o palestrante foi direto: quando usamos a expressão “eu não consigo” é porque não queremos, é o livre arbítrio.
    Portanto garota, medos existem mas podem ser dominados e até excluídos e com você as baratas voadoras serão companheiras a partir de agora e farão parte dessa bela história que você ja está nos contando e os próximos capítulos estaremos aqui grudados na telinha curtindo essa viagem com você.
    Abração, fique com Deus.
    Sebastião – Uberlândia, MG

    Responder
    1. Camilla Albani 23 de setembro de 2015 às 05:45

      Oi Tião!!! Então, tem uma frase que diz que a gente vive querendo controlar nossa vida, mas que para começo de conversa temos que aprender a controlar nossa mente…penso bastante nisso, para manter uma postura positiva frente aos desafios da vida. Não sei se percebeu, quanto as baratas voadoras, eu ainda não achei nenhum meio de mitigar as chances de encontrá-las e eu morro de medo de baratas voadoras!!! Deus me projeta! rs Beijão para vc e para a Ivani 🙂

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      1. Sebastião Corrêa 24 de setembro de 2015 às 15:17

        Deixe a vida nos levar. Essa frase está em uma canção do Zeca Pagodinho que deveríamos seguir a risca. Mudar o que tem que ser mudado, viver o que tem que ser vivido e por ai vai, mas como instalamos muitos filtros focados no “se” invertemos os valores na maioria das vezes, ou seja, as nóias sobrepõe a realidade e piração é questão de tempo. Portanto, vai ser feliz e nos faça sentir aquela a “inveja branca” de você. (inveja branca colei de você)
        Abração

        Responder
        1. Camilla Albani 24 de setembro de 2015 às 21:05

          Deixa a Vida me Levar, Leva, Leva eu….estou deixando como nunca antes!!

          Responder
  4. Suzana 22 de setembro de 2015 às 21:38

    Camila, boa sorte em sua nova empreitada.
    Eu um dia ainda vou fazer um sabático…rsrsrs beijo grande

    Responder
    1. Camilla Albani 23 de setembro de 2015 às 05:43

      Obrigada, Suzana! Se no sabático incluir uma volta ao mundo, dá uma olhada nos sites que me refiro no texto, me ajudaram muito no planejamento e concepção da viagem. beijokas

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  5. Dani Lopes 22 de setembro de 2015 às 23:14

    Adorei Cá!! Ó medo faz parte mesmo da nossa vida, ele só não pode nos impedir de seguir com nossos sonhos! Vc é uma guerreira destemida! Beijos

    Responder
    1. Camilla Albani 23 de setembro de 2015 às 05:42

      acho que eu sou uma medrosa destemida! 🙂 fico feliz que gostou, amiga, beijão

      Responder
  6. Daniela 23 de setembro de 2015 às 07:05

    Quem te viu e quem te vê! Você tem se conhecido melhor e trabalhado suas ansiedades, medos e afins! Geralmente a gente foge, mas vc enfrenta!
    Realmente essa viagem vai te ajudar você a se encontrar com todos esses “fantasmas” que nos cercam! Parabéns amiga!

    Responder
    1. Camilla Albani 23 de setembro de 2015 às 09:24

      “quem te viu quem te vê” já até sei do que você lembrou…elevador feelings? rs beijos

      Responder
  7. Daniela 23 de setembro de 2015 às 08:01

    Te ajudar você = ajudar você

    Responder
  8. Daniela 23 de setembro de 2015 às 08:15

    Sobre as baratas, compre um inseticida! rs
    Me lembre de te contar um episódio sobre baratas depois… Bjo

    Responder
  9. aline fonseca samig 23 de setembro de 2015 às 17:34

    Camila adorei o seu mini jornal, são pessoas com personalidade corajosa e determinada que precisamos
    seguir o exemplo. Desde o dia que voce viajou procuro lhe acompanhar em pensamento e com minhas orações. Continue firme desfrutando os países que estão em seu planejamento. Um grande e saudoso abraço.

    Responder
    1. Camilla Albani 23 de setembro de 2015 às 17:53

      obrigada Aline!!! Conto com suas orações. Beijos

      Responder
  10. Rodrigo Zago 24 de setembro de 2015 às 09:42

    Sempre nos identificamos demais eu e você. O “Medo” sempre foi um dos meus temas preferidos. É um dos sentimentos que acho mais intrigante. Tão primitivo. Tão poderoso. Tão necessário e ao mesmo tempo tão potencialmente danoso… Interessantíssimo você ter começado os seus relatos justamente falando dele.

    Adoro a vulnerabilidade e a abertura com que você se exprime. Ao invés da auto-exaltação que é comum nesse tipo de projeto, você parece ter decidido (provavelmente de forma inconsciente) compartilhar o que há de mais íntimo na sua experiência.

    You-go-girl! 🙂

    Responder
    1. Camilla Albani 24 de setembro de 2015 às 21:10

      Oi Zago!
      Que delícia ler seus comentários…por que quando você diz que nos identificamos aí sim eu me “exalto” por que sou super sua admiradora…mentes pensantes me atraem 🙂
      Então,você falou bem, eu decidi mesmo tentar colocar aqui os sentimentos mais verdadeiros, íntimos, pois nem tudo são flores e justamente aí que eu acho que mora a graça da estória!
      Beijos!!

      Responder
  11. Tati 26 de setembro de 2015 às 22:21

    Camis!!!! Querida, que bom que seguiu seguir em frente, é a sua cara essa viagem!!! Depois me dá umas dicas!!! Bjaum

    Responder
    1. Camilla Albani 27 de setembro de 2015 às 05:58

      obrigada Tati! acho que depois deste ano terei muitas dicas viu! beijo enorme

      Responder
  12. Maria Aparecida 29 de setembro de 2015 às 15:49

    Minha linda!

    Quantos medos superados!
    Quanta coragem conquistada!
    Quanto carinho compartilhado!

    Mas, por favor, cuidado! Eu tenho muito medo dos seus medos, rs…

    Responder
    1. Camilla Albani 1 de outubro de 2015 às 07:09

      ahhh estes meus medos, né?? tenho muito ainda para trabalhar, ainda bem que tenho uma mestra do meu lado!
      beijo, saudades!

      Responder
  13. ViraVolta 2 de novembro de 2015 às 10:51

    Fico feliz em ter contribuído para esse sonho. Depois quero ver um post sobre o dia em que você começou a dar risadas dos medos que sentia antes. Heheheh

    Responder
    1. Camilla Albani 16 de novembro de 2015 às 06:35

      rsrsrs esse dia ainda vai chegar! beijos, querida!!!

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  14. NEUSA MARIA CENZI 30 de outubro de 2016 às 17:17

    Amei a Matéria que o Viver Bem fez com vc, parabéns pela Coragem linda,temos que correr atrás do nossos Sonhos na oportunidade que der gostei muito,Se pudesse viajaria sempre viajar é tudo de maravilhoso.

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    1. Camilla Albani 18 de novembro de 2016 às 17:58

      Obrigada Neusa! Beijos 🙂

      Responder

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