Minhas impressões da Terra do Sol Nascente

As palavras de ordem são limpeza, praticidade e automatização.

Podemos começar pelo transporte público, que é trem, ônibus e metrô para todo lado, mas tem também ciclovias cortando a maioria das cidades. É fascinante ver como as ruas e calçadas são compartilhadas pelos pedestres, veículos e bicicletas sem maior stress. Vending machines a cada esquina e até em alguns restaurantes você faz seu pedido através de uma máquina. E não poderia deixar de citar os vasos sanitários aquecidos e com mil funcionalidades (lava e seca bumbum, barulhinho de xixi, odorizadores, entre outros).

O parágrafo da segurança pública, eu vou pular, sem comentários.

As ruas são limpas, limpas, muito limpas. E a coisa mais difícil de achar são lixeiras. Conversando sobre este enigma com um amigo que já morou por aqui, ele me disse a seguinte frase: “No Japão, cada um é responsável pelo seu lixo”. Ou seja, não é por que não tem lixeiras nas ruas que se joga algo no chão. Guarde o lixo na sua bolsa ou segure na mão até chegar numa lixeira mais próxima que pode estar a alguns muitos minutos de distância. E claro, sempre com a devida separação para o que é reciclável. É uma educação chocante. E quantas vezes já ouvi alguém dizer que algum lugar estava sujo pois não havia lixeiras.

Muitas vezes me senti analfabeta por aqui. Analfabeta num nível de ter que pedir ajuda no supermercado para saber se o que eu estava comprando era frango ou porco e se o iogurte era sabor chocolate ou café. As cores nunca foram tão importantes, embalagens com vermelho é sempre um possível alerta de algo picante. Uma ótima oportunidade para explorar melhor os sentidos.

Mas o que me marcou mesmo por aqui foi a interação com os japoneses.

É verdade quando dizem que poucas pessoas falam inglês. A maioria sabe algumas palavras chaves que até ajudam, mas que são insuficientes para uma conversa mais longa. Mesmo assim, são muito solícitos. Aconteceu algumas vezes de eu perguntar a direção de um determinado lugar e a pessoa não falar inglês, então me pegou pelo braço e me levou até o lugar correto. Missão dada é missão cumprida.

Entretanto, os japoneses são muito reservados, ninguém te olha nos olhos, dificilmente vão puxar um papo (ok, entendo que a questão da língua é uma dificuldade) e muito menos ter qualquer aproximação física. Mesmo entre eles é assim, percebo isso pelo silêncio que impera nos trens e metros. Os sorrisos são contidos e quando acontece é acompanhado por uma das mãos tampando a boca. Não vi um beijo, um abraço, ou qualquer demonstração de carinho nos espaços públicos.

Sem dúvida alguma, o Japão é um país lindo, um exemplo de como as coisas podem funcionar e as pessoas podem viver bem.

Porém, confesso que eu não me senti aconchegada por aqui. Talvez  seja apenas um sentimento de estar em terras estrangeiras. Mas talvez seja por que eu sou do tipo que adora dar sorriso de graça, jogar uma conversa fora e receber abraços apertados.

8 Comentários Minhas impressões da Terra do Sol Nascente

  1. Sebastião Corrêa 13 de dezembro de 2015 às 14:24

    Camila, vendo e vivenciando tudo isso passa la no fundo aquela vontade de ficar, ou pensar numa possibilidade de mudar? Ainda é cedo, sua viagem está ainda no começo, mas pela experiência do que sentiu até agora a diferença com o nosso País é assustadora, claro que existem particularidades que fazem com que sintamos falta de alguma coisa, o afeto, por exemplo. onde a manifestação japonesa é bem diferente da nossa, mas em contrapartida, educação(berço), segurança, transporte são diferenciais que tem um peso bastante significativo, que poderiam ser referências para uma possível tentativa mental de mudança. Abração, fique com Deus.

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    1. Camilla Albani 19 de dezembro de 2015 às 00:44

      oi Tião…ainda não me passou na cabeça a possibilidade de mudar de vez, quem sabe ela ainda aparece…no meu próximo post você vai entender das saudades que brotam no meu peito. beijos!!!!

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  2. Dani Lopes 13 de dezembro de 2015 às 14:30

    Poderíamos copiar essas coisas boas né…. Estamos anos luz neste ponto, mas ver sorrisos e receber abraços , o carinho e aconchego que temos por aqui , acho que não vai dar pra encontrar em nenhum lugar do mundo! Saudades migaaa ! Feliz em ver você sempre descobrindo um novo mundo de possibilidades! Beijos

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    1. Camilla Albani 19 de dezembro de 2015 às 00:42

      eu também estou com saudades!!!! chegando no Brazillll quero te ver viu pobricha! vc está me devendo um strogonoff e eu não esqueci! 🙂

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  3. Cristiane 14 de dezembro de 2015 às 10:37

    Deve ser realmente incrível, com belos exemplos de cidadania. Que legal!

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    1. Camilla Albani 19 de dezembro de 2015 às 00:41

      🙂 tudo muito diferente do que estamos acostumadas no nosso Brazilllll!

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  4. Elaine Aquino 15 de dezembro de 2015 às 09:10

    Estou mesmo imaginando você num lugar onde as pessoas ficam em silêncio rsrsrs, eu tinha de ver isso rsrsrs curta muito amiga ! Tudo igualzinho não teria graça, são nos contrastes que aprendemos mais ! Saudades sempre !! 😉

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    1. Camilla Albani 19 de dezembro de 2015 às 00:41

      não é fácil, amiga. imagina a missa simpatia aqui não ter com quem conversar, estava pirando. mas agora estou muito feliz, pois cheguei na Tailândia, conhecida como a terra do sorriso. acabei de chegar e já me sinto em casa :).se prepara que quando eu voltar estarei muito carente de amiga e de papos e papos e papos. beijos

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