4 meses de estrada! Aqui estou eu no Sudeste Asiático!

Para mim, o tempo não tem voado, sinto passar cada dia, cada mês. É tanta coisa nova, tantos países, tantas línguas, tantas moedas, que tenho a sensação que sai do Brasil há 2 anos. Mas este último mês foi marcado pela minha chegada no Sudeste Asiático, só agora estou entendendo o que é mochilar de verdade.

 Na Austrália, fui mega mimada ou na minha homestay em Melbourne (com direito a um quarto e um banheiro só para mim, luxo puro!), ou na casa da minha amiga Ana (que além de papos maravilhosos, ela até preparou um strogonoff para matar meu desejo, um sonho!). Na Nova Zelândia, a parte mais sensacional da viagem até agora, viajei com minha amiga Mari que estava de férias e fizemos algumas concessões, a Mari topou se hospedar comigo em couchsurfing e em hostels bem sujinhos que a gente passava álcool gel nos pés após o banho, mas por outro lado, alugamos carro, comemos em restaurantes mais chics, etc. Na parte japonesa da trip, eu e o Gui já viajamos mais no estilo mochileiro, entretanto, com a  organização e limpeza do Japão isso nem fazia muita diferença.

Eis que chegamos na Tailândia!

Em Bankgok, até que ainda ficamos num hostel bacaninha, mas sempre com banheiro compartilhado. Aliás, não sei mais o que é banheiro privativo. Sabe aquela frescura de não fazer número 2 fora de casa, então, já era faz um tempinho. Mas a aventura começou quando a gente pegou o ônibus de Bankgok para Chiang Mai. E eis aqui uma grande diferença. Se eu estivesse de férias, jamais encararia 10 horas de estrada se pudesse pegar 1 hora de vôo. Mas não é férias, né? E compramos nosso ticket para o que diziam ser um VIP bus por 26 USD que depois descobrimos que fomos enrolados e que deveria ter custado  uns 16 USD. Bem vindos a Tailândia! Lá tem a fama zen, espiritual, monges para todo lado, mas vai ter sempre, digo de novo, sempre, um tailandês querendo te enrolar.

Para chegar no lugar para pegar o tal VIP bus já foi um martírio. Nenhum taxista queria nos levar por causa do trânsito, aqui com um “que” de Rio de Janeiro. Chegamos no local, uma rua imunda, cheia de ônibus e  barraquinha de comida. Comemos um Big Mac em pé na calçada e quando olhamos nosso VIP Bus, bom, não era tão VIP assim. Já na nossa poltrona, dramin ok, curtinho a aventura que mal tinha começado, quando a gente se mexe na poltrona e a mesma simplesmente se solta do chão.  Para não cair em cima das meninas da poltrona de trás, a gente tinha que segurar a nossa com o peso do corpo. Como a gente iria ficar nesta situação mais de 10 horas, com um dramin na cabeça cada um? No final, viajamos as 10 horas esmagados do lado do motorista, agarrados na nossa mochila e com uma promessa que  eu ficaria 1 mês sem chocolate se chegássemos vivos.

Depois dessa primeira aventura, vieram muitas outras. Em Chiang Mai, ficamos hospedados num hostel por USD 7 dolares a noite. Que lindo que é viajar barato na Tailândia!!! Mas estávamos num dormitório com 8 camas, banheiro compartilhado (claro!), com um chuveiro tão apertado que depois do banho você tinha que se trocar debaixo dos pingos restantes. No primeiro dia, tive muita vontade de chorar. Mas depois acostumei, montei uma logística eficiente para o banho, separei minhas coisas de uma maneira que não precisava ficar abrindo a mala grande toda hora, fiz amizade com duas coreanas que estavam no mesmo dormitório e no final,  até me sentia em casa na parte do beliche que me era de direito.

Esta coisa de ter que descobrir a cada dia onde vou dormir, olhar mil opções de restaurante antes de decidir onde comer para não estourar o orçamento, descobrir como ir da cidade X para a cidade Y da maneira mais econômica e segura possível, é o meu desafio constante e confesso que cansa. Minha viagem não tem nada parecido com viajar de férias, muitas vezes vejo pessoas de férias passeando por aqui e as imagino voltando para seus hotéis confortáveis e os jantares nos restaurantes bacanas e admito sentir uma certa inveja.  Mas ao mesmo tempo, sinto superação a cada dia, aprendizados que nunca seriam obtidos nas deliciosas e confortáveis viagens de 30 dias.

E eu ando pensando muito o que me trouxe até aqui, por que apesar de amar viajar, eu sinto muita falta de casa, de ter uma certa rotina e eu sei que tem gente que vai querer me matar nesta parte, mas sinto falta até de trabalhar, de me sentir útil de alguma forma (talvez um trabalho voluntário resolveria este caso, estou vendo algumas possibilidades).  Depois de muito matutar, cheguei na minha resposta.

Eu sou do tipo nerd, que ama ler, estudar, filmes e seriados, mas de repente parece que tudo isso não era mais suficiente. Minha curiosidade era muito maior. E sem dúvida alguma, o que me empurrou até aqui foi essa minha vontade de ver o mundo com meus próprios olhos, tirar as minhas próprias conclusões,  mesmo que  para isso eu tenha que enfrentar algumas dificuldades que me tiram totalmente da minha zona de conforto. E quando penso nos lugares incríveis por onde já passei, no pouquinho de história do mundo que aprendi, nas pessoas com quem cruzei e nas estórias de vida que ouvi, só posso dizer que sim, vale muito a pena.

E meu lema atual é “continue andando”, “continue andando”.

Beijos muito saudosos de Saigon, cidade caótica do Vietnã, mas cheia de estória para contar.

21 Comentários 4 meses de estrada! Aqui estou eu no Sudeste Asiático!

  1. Rodrigo 27 de janeiro de 2016 às 14:17

    Camilla,

    Mais um ótimo relato! Parabéns!

    Lembra que te falei de um amigo meu que embarcou em um projeto parecido com o seu e que esperava ficar na estrada um ano e não durou uns cinco meses? Foi exatamente essa conjunção de cansaço (não é uma viagem de férias no fim das contas como você bem colocou) com a vontade de voltar a ser “útil” (que poderia ser mitigada se a viagem tivesse sido planejada com algum aspecto utilitário como trabalho voluntário, escrever um livro com as experiências, pesquisar sobre locais históricos, fazer algum tipo de experimento fotográfico etc.).

    Só um ajuste a se fazer no seu texto… Acredito que a capital do Vietnã seja Hanoi. Pelo menos ficou sendo depois da reunificação. Saigon só foi capital até o fim da Guerra e depois que o país voltou a ser um só, a capital ficou no norte que era comunista – e continua assim, só que agora o sul também é :-).

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    1. Camilla Albani 5 de fevereiro de 2016 às 06:09

      sim Zago! é totalmente diferente de férias…mas por enquanto eu sigo em frente viu! com algumas adaptações como por exemplo me permitir alguns mimos de vez em quando 🙂 ajuda bastante!
      e obrigada pela correção, já arrumei lá…fiz confusão…bjs

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  2. Elaine Aquino 27 de janeiro de 2016 às 14:28

    So strong !!!! Just loved it !!! Keep and keep walking !! Kisses, love you Darling !!

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    1. Camilla Albani 27 de janeiro de 2016 às 21:32

      posso estar com muitas saudades de você? posso? acho que vou me mudar 1 semana lá para o quartinho da tartaruga quando eu voltar, tá? colocar toda a filosofia em dia hehehehehe beijos!

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      1. Elaine Aquino 3 de fevereiro de 2016 às 14:23

        Ai que must !!!!! Vou adorar essa semana aí !!!! Também morro de saudades, vai ser mais que bem recebida no Turtle’s Room Baby !! Huahuahuahua, pego uns dias de férias e vamos matar toda essa saudade, regando tudo com strogonoff, litros de catchup, cerveja e vinho…..chamamos Eduardo Moreno pra se juntar a nós e vamos por a filosofia em prática !! I will love it !!!

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  3. fernanda 27 de janeiro de 2016 às 14:44

    be continued, strong woman … estou adorando seus post, suas estórias .. é uma motivação!

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    1. Camilla Albani 27 de janeiro de 2016 às 21:31

      ahh Lindinha! muito thanks pela força! e vamos que vamos! beijos

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  4. Ma. Solange G.Rocha 27 de janeiro de 2016 às 17:48

    D e m a i s Camilla! Siga em frente com fé e determinação. Vale aqui Paulo Coelho: “O mundo está nas mãos daqueles que têm a coragem de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos “

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    1. Camilla Albani 27 de janeiro de 2016 às 21:30

      Obrigada!!! 🙂 beijos

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  5. guto albani 27 de janeiro de 2016 às 19:07

    Maninha, quando você chegar em casa e olhar para traz e ver o quanto você se fortaleceu com esta experiência que poucas pessoas no mundo conseguiram alcançar. Continue firme!!!! Vai valer a pena!!!Nos momentos mais difíceis faça uma oração e peça a Deus para te ajudar, ele esta sempre conosco!!!Te amo muito viu!!! Logo você vai estar com a gente comendo a carne com nervinho!!! SAUDADESSSS..BJSSSS

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    1. Camilla Albani 27 de janeiro de 2016 às 21:30

      sim, vamos que vamos com fé em Deus! estou morrendo de saudades de nervinho refogado! hehehehe beijos, amo te

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  6. Angelin J. Beraldo 27 de janeiro de 2016 às 21:33

    Camilla, em seus comentários vc deixa transparecer momentos de dúvida do certo de estar nessa fantástica viagem. Não tenha dúvidas que é o sonho de muita gente sem condições ou sem coragem de realizar essa, digamos, FANTÁSTICA AVENTURA. Na minha ótica você, o Gui e tantos outros estão certos em realizar esse sonho. A bagagem, o crescimento pessoal, as experiências, com certeza são fantásticas. Parece um filme. Fé em Deus e pé na estrada; ainda restarão muitos dias pra vcs curtirem, novamente, o tradicional. bjs e boa viagem.

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    1. Camilla Albani 27 de janeiro de 2016 às 21:42

      Sim, Angelin….de vez em quando pinta uma dúvida sim, não dá para mentir! Mas sei que vale a pena, essa experiência é única e com certeza nunca mais seremos os mesmos depois disso…acho q o grande ganho é a capacidade de ver as coisas mais simples. obrigada pela força, beijão

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  7. Sueli Alves da Costa 27 de janeiro de 2016 às 23:26

    Oi, Camila!

    Parabéns! É preciso muita coragem, muita disposição e desprendimento para enfrentar os desafios que vem enfrentando. E, como você mesma concluiu, vale a pena.
    Serão muitas as lembranças que irão rondar sua memória, serão muitas as visões dos lugares lindos, das pessoas que a encantaram e daquelas que estranhou. Serão muitos os cheiros que a levarão de volta a cada lugar marcante. Enfim, será a viagem mais longa de sua vida, pois irá se prolongar até o fim dos seus dias. Sempre voltarão as sensações das mil experiências vividas. Imagino você, daqui a um tempo, deitada em sua cama, no aconchego do lar (é maravilhoso sair, mas é muito melhor voltar para a casa, a rotina e as pessoas queridas), em meio ao conforto dos seus travesseiros, do carinho da Mamãe, da Aninha, do Mano e da Lu, dentre outros familiares e amigos. Nessas ocasiões, você vai olhar para o teto e, quando menos esperar, voltarão à mente o que viu de lindo, de estranho, as pessoas com quem conviveu, por menor que tenha sido o tempo, o clima de cada lugar, as angústias do momentos menos felizes, do choro, dos questionamentos, tipo, “o que estou fazendo aqui? “. Enfim, essa experiência fará que com retorne com uma bagagem infinita que, embora muito grande, não terá mala grande o suficiente para cabê-la! Essa bagagem iluminará sua mente, seus olhos, seus conceitos… Imagino que achará tudo muito mágico! E agradecerá a Deus e a si mesma por ter decidido sair pelo mundo, de asas abertas! E agradecerá também por retornar às raízes! Um beijo grande e boa viagem!

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    1. Camilla Albani 28 de janeiro de 2016 às 12:42

      ahhh que lindo, chorei! acho que vai ser tudo isso mesmo! obrigada pelo carinho, obrigada mesmo! beijo grande e um abraço apertado!

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  8. Paula Lemmertz 28 de janeiro de 2016 às 08:26

    Oi, Camilla! Eu sou a Paulinha, amiga (melhor dizendo, fã) do Guilherme. Desde antes dele viajar que eu leio seu site e acho você o máximo, sério mesmo. Acho que virei sua fã também, hahaha! Enfim, manda um beijão presse chato que eu adoro e fala pra ele comprar logo um celular novo pq eu estou com crise de abstinência de Beraldo e ele sabe que essas crises me deixam super mal! Aliás, nem sei se vocês continuam a viagem juntos, continuam? Se sim, por favor mande meus recados pra ele. Se não, obrigada de qq maneira, fique com Deus e se cuida. Ah! E continue escrevendo pq gosto muito das suas aventuras e das suas percepções da vida. Beijo.

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    1. Camilla Albani 28 de janeiro de 2016 às 12:40

      Oi Paulinha!
      Eu e o Gui continuamos viajando juntos sim, o mala está aqui do meu lado e já dei seu recado 🙂 Fico muito feliz que curte os textos, estou descobrindo esta nova paixão, que é escrever! Beijão!!!

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  9. eleusa de oliveira 30 de janeiro de 2016 às 14:19

    Olá Camila
    Tudo bom? Nos conhecemos ainda só de nome.Não nos vimos pessoalmente.Veja a ironia do destino.Estavá mos perto e parecia longe e agora estamos longe e parece tão perto.Assim acontece com o mundo.Bem vc deve estar se perguntando, como soube dessa incrivel viagem. Através de uma pessoa maravilhosa.A Tê ,sua mãe.Amo viajar e gostaria de conhecer o mundo inteiro.Vc mora nela e nada sabe! É fantastico conhecer outros povos e outras culturas.Vc está de parabens e tb é muito linda.Na proxima vez me leva na mala.Bis.e desfrute dessa beleza que Deus nos deu.Voltarei.

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    1. Camilla Albani 3 de fevereiro de 2016 às 01:47

      Oi Eleusa, obrigada pelo carinho! Sim, viajar, conhecer outros povos,outra cultura, é algo que muda algumas coisas definitivamente dentro de nós. Quando eu voltar, vamos nos conhecer pessoalmente tomando um café lá na casa de minha mãe. Beijo Grande!

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  10. Luciano 30 de janeiro de 2016 às 23:55

    Uowwww Camilinhaa…

    Mochilar é bom demais…rs…

    bjos, peninhageo.

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    1. Camilla Albani 3 de fevereiro de 2016 às 01:50

      opa se é bom! e quanto a gente aprende! rs
      bjs

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