Mais um pouco de Índia

Depois de Delhi e Agra, cidades mega turísticas e bagunçadas, eu cheguei numa cidadezinha, mais para um vilarejo, que se chama Chanderi. E foi ali que meu coração foi fisgado.

A população de Chanderi não está acostumada a receber turistas, este povo estranho, majoritariamente branco, com suas roupas ocidentais e câmeras fotográficas penduradas no pescoço.

A grande diferença foi que nesta cidade ninguém ficava te pedindo dinheiro ou insistindo para você comprar alguma coisa. Nos sentíamos mais livres para interagir com os locais e principalmente com as crianças, que saiam correndo de casa quando viam a gente passando e pediam para tirarmos fotos e mostrar no visor da câmera. Era uma alegria só. Tinha pobreza? Tinha. Tinha sujeira? Tinha. Tinha vaca para tudo quanto é lado? Tinha. Mas lá tinha muita alegria também. Às vezes eu ficava me perguntando, “como as pessoas conseguem viver assim?”. E acho que a resposta é por que elas não conhecem nada diferente daquilo, então aquilo pode ser bom, dá para ser feliz assim.

Uma coisa que começou a me chamar a atenção é que eu não vi muitas mulheres nas ruas. E comecei a perceber como é uma sociedade bem machista. Teve um dia em Chanderi que fomos jantar na casa de uma família local. Eu achei o máximo, me imaginei jantando com o casal, os filhos e etc., mas durante todo o jantar eu só vi o pai (dono da casa), o seu filho mais velho e, claro, as crianças. As mulheres todas na cozinha preparando o jantar. Fiquei tão incomodada que quando o nosso anfitrião comentou que a filha fazia tatuagens de henna, eu rapidamente pedi se eu  podia ver só para conhecer a filha dele. No final foi legal, ela fez tatuagem em algumas meninas e rolou pelo menos uma mínima interação com as mulheres da casa.

É claro que estou falando de uma cidade pequena e que na cidade grande tem muitas mulheres nas ruas, estudando, trabalhando, etc., mas é de uma forma bem diferente do estamos acostumados. Uma mulher casada é sempre mais respeitada do que uma mulher solteira, casamentos arranjados ainda existem e se duas pessoas de castas diferentes resolverem se apaixonar, vai ter problema. E para uma mulher casar é preciso que o pai da noiva dê algum dinheiro para o noivo, então já dá para imaginar como uma família deve ficar feliz quando nasce uma menina e não um menino. E eu achava que estas coisas não existiam mais.

Depois do choque inicial comecei a me surpreender com a Índia a cada esquina, a cada pessoa simples, com suas demonstrações religiosas e a cada novo sabor. Ahh os sabores…com certeza, a Índia me fisgou pela boca. Começando pelo masala chai que eles tomam como nós tomamos nosso cafezinho e eu adorei, depois o garlic naan que acompanhava todas as minhas refeições, as comidas vegetarianas deliciosas (não lembro o nome de nada) e os famosos lassis (bebida popular e tradicional da Índia a base de iogurte,  água, especiarias e às vezes frutas). Ah, e já estava esquecendo, a famosa cerveja indiana, kingfischer, que me rendeu uma bela ressaca num dos dias que não me atentei ao rótulo e tomei a strong achando que estava tomando a larger.  Enfim, me joguei  na comida indiana e os piriris foram muito contidos, nada que comprometesse o bom andamento da viagem.

Continuo achando que viajar na Índia é complicado. Não indico mulher viajar sozinha por lá, os homens encaram de um jeito que achei meio assustador. E mesmo se for viajar em casal, ou grupo de amigos, acho que é um lugar que vale a pena fazer uma boa preparação, pesquisas, contatos, estas coisas. Por exemplo, eu achei as estações de trem na Índia algo que parece que você foi teletransportado para outra dimensão, muita gente, muita vaca, muita pobreza, pouca informação. Mas sei que existe um aplicativo que você pode baixar no celular e tem as informações atualizadas de todas partidas e chegadas, tipo de coisa que se descobre nesta preparação pré viagem e pode ser muito útil.

A minha viagem foi cheia de mordomia por causa do tour, não precisava pensar em nada, e eu achei ótimo. Mas por outro lado, tenho plena consciência que perdi algumas experiências ficando presa numa determinada programação, sem ter que me virar para descobrir as coisas por minha conta. Conheci mochileiros aqui nos albergues da vida que vão para Índia sozinhos, e apesar de meio estressante, saíram todos felizes, são e salvos. Mas acho que para esta minha primeira viagem, foi ótimo respeitar os meus limites e fazer algo mais “sob controle”. Porém, quem sabe um dia eu não encare algo mais alternativo por lá, pois que eu vou voltar, isso não tenho mais dúvida. Essa só foi uma primeira espiada.

4 Comentários Mais um pouco de Índia

  1. Marcelo 29 de março de 2016 às 09:12

    Estamos indo para a Índia agora em meados de abril e, por grande coincidência, optamos pela Intrepid também. Tivemos a mesma sensação que você que, neste estágio, era complicado planejar tudo sozinhos para uma viagem na Índia. Tudo de bom no prosseguimento de sua viagem!

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    1. Camilla Albani 29 de março de 2016 às 12:40

      Oi Marcelo, que legal! Qual tour da Intrepid vcs vão fazer? Eu amei minha experiência com eles, valeu cada dolar! 🙂 Eu fiz o Unforgettable India…

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      1. Marcelo 29 de março de 2016 às 12:46

        Vamos fazer o North India highlights.

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        1. Camilla Albani 30 de março de 2016 às 11:44

          ah legal! perguntei para o meu tour leader se ele ia fazer este tour, mas ele disse que não vai…enfim, ele é um cara muito legal, sabe TUDO de Índia, 100% confiável e mora em Jaipur. se vcs forem passar por lá e precisar de alguma ajuda, me fala q coloco vcs em contato! bjs e boa viagem (invejinha branca de vcs hehehehe)

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