Minha última noite na Índia

Um causo de viagem para fechar a série de posts sobre a Índia.

Minha programação original era voltar de Varanasi num trem noturno com o pessoal do tour que chegaria às 9h da manhã em Delhi. E logo em seguida, eu já tinha meu voo de volta para a Malásia. Mas chegando na Índia fui informada que atrasos nos trens é algo muito comum (como eu não imaginei?!) e que se eu pegasse este trem teria grandes chances de perder meu voo.

Então, a solução encontrada foi pegar um voo no dia anterior que chegaria em Delhi às 19h. Pedi para o nosso guia me ajudar a procurar um hotel perto do aeroporto para aquela noite, estaria eu e uma amiga que fiz durante a viagem. Porém, estava tendo algum evento em Delhi e os hotéis estavam lotados e os que tinham vaga, estavam com tarifas totalmente fora do meu já estourado orçamento.

Conversei com esta minha amiga e decidimos que iríamos dormir no aeroporto naquela noite. Estávamos em duas, o aeroporto de Delhi é bem organizado, não teria problemas. Até arrumei uma corrente para amarrar nossas malas em algum lugar para não ter perigo de alguém roubar nossas coisas se pegássemos no sono pesado. O plano estava montado.

Nessa viagem eu fiz amigos incríveis, e entre eles estava uma família de Seattle, nos USA. Era uma casal, a Chris e o Lonnie, e a mãe da Chris, a Sharon. Um dia eu comentei com eles que estava com saudades de casa, daí a Sharon resolveu me adotar como filha nos meus 15 dias de Índia. Foi uma delícia. Ela é uma das pessoas mais incríveis que já conheci, 74 anos de pura energia, tem um motorhome para viajar pelos States e já estamos marcando uma viagem juntas por lá.

Enfim, quando eles souberam do nosso plano de dormir no aeroporto, eles falaram que tinham uma reserva num hotel próximo do aeroporto e eles iriam usar o quarto só até  meia noite e pouco, pois tinham um voo na madrugada. Então, podíamos ir para o hotel deles quando chegarmos em Delhi, falaríamos que minha amiga que também é americana era a filha deles e eu era uma amiga da família. Esse seria o nosso plano A, o B continuaria voltar para o aeroporto caso o pessoal do hotel não acreditasse na nossa estória.

Eu nem me liguei no nome do hotel, eu sou péssima para saber o que é coisa de gente chic, tipo hotel, carro, marca, estas coisas. Chegamos lá , demos o nome do hotel para o taxista e seguimos. Imagine a minha surpresa quando o taxista entra em um hotel 5 estrelas!! Eu desesperei, olhei para as minhas botinas sujas e o mochilão e já pensei “não vão deixar a gente entrar nem ferrando”. Mas para a nossa surpresa, eles não questionaram nada, pediram nosso passaporte, fizeram check in e nos deram uma chave do quarto. Ois??? Nem acreditamos.

Ficamos com a nossa “família” até a hora deles irem para o aeroporto, jantamos (tinha um buffet incluso na diária), rimos, fiquei deitada naquela cama maravilhosa papeando com minha mãe postiça, muitos abraços de despedidas. Depois que eles se foram, tomei o melhor banho da viagem na Índia, com um chuveiro que saia do teto tipo uma cachoeira. Água quente! Roupão! Creme para passar no corpo! E eu que tinha perdido minha escova de cabelo há alguns dias e andava despenteada, fiquei toda feliz quando achei um pente no kit no banheiro, que aliás está sendo minha escova até hoje!

No dia seguinte, tomei o melhor café da manhã da minha vida. Nunca vi um café da manhã igual aquele e olha que já me hospedei em uns hotéis bacanas a trabalho. Frutas, Yogurts, Cereais, Queijos, Salmão, Pão, Suco Natural que parecia que você estava comendo a fruta, e muita, muita comida. Comida mesmo, tipo arroz, vegetais, pois aqui na Ásia é bem comum eles comerem no café da manhã  o que a gente comeria no almoço.

Depois de 15 dias vendo muita pobreza, eu fiquei espantada com tanto luxo, tanta gente bonita e bem arrumada (tinha turistas mas muitos indianos também) e, principalmente, tanta comida. É claro que eu sabia que tinha riqueza na Índia, uma mega desigualdade social (Brasillll) ,  mas fiquei meio espantada e até meio incomodada (mas confesso que não a ponto de perder o apetite diante daquele café da manhã).

O Lonnie tinha me avisado que teríamos um carro para nos levar para o aeroporto no dia seguinte. Eu pensei numa van, tipo aqueles shuttle bus, que a gente vai com as malas quase em cima cabeça. Mas não, era um carro privativo, só para nós duas, com motorista todo simpático e cavalheiro. Uau, nunca pensei em fechar minha viagem na Índia em tão alto estilo!

Eu já amava a Chris, o Lonnie e a Sharon, mas depois deste resgate no último dia, só posso dizer que vou amá-los forever, ever! Thanks, my dear trip family. I hope to see you soon!

6 Comentários Minha última noite na Índia

  1. Dani Lopes 5 de abril de 2016 às 00:32

    Hahahaha adorei! Você merece, Deus sempre dá um jeito de estender a mão aos seus filhos! E tenho certeza que você nunca tomara um café com queijo branco e pijama beje hahahaha saudades sua linda! Te amo!

    Responder
    1. Camilla Albani 19 de abril de 2016 às 10:46

      também te amo amiga! beijossss

      Responder
  2. ANA 5 de abril de 2016 às 11:40

    Camila, que estoria linda e com final feliz rs, mas é assim mesmos os afins de atraem, pessoas boas atraem pessoas boas
    Com certeza deve ter conhecido lugares lindos, mas o melhor foram as amizades que vc conquistou.
    Boa viagem bjs

    Responder
    1. Camilla Albani 19 de abril de 2016 às 10:43

      Com certeza, Ana. As pessoas sempre fazem meu caminho mais especial 🙂
      Beijos

      Responder
  3. Fernanda Bacin 17 de abril de 2016 às 14:04

    Acabei de achar seu blog e ler o ultimo post. Feliz que agora terei tempo e condições pra ler tudo aos pouquinhos e acompanhar essa trip e as histórias maravilhosas que ela traz! Feliz por encontrar você no meu caminho e ter compartilhado esses 10 dias difíceis e incríveis, nesta exata proporção contraditória que significou, que ainda tá difícil digerir e descrever rs
    Irmã de viagem, na certeza que nenhum encontro é por acaso e que nos vemos por estas estradas da vida!
    Eu sou mais asas, mas aprendi a cuidar melhor das raízes! Até pra não sofrer depois sem necessidade hahaha
    Que seu equilíbrio entre estes dois incríveis mundos seja sempre cheio de boas e verdadeiras emoções! Nos vemos pela estrada! Gratidão

    Responder
    1. Camilla Albani 19 de abril de 2016 às 10:39

      Oi Fê! Também fiquei muito muito feliz de te encontrar pelo caminho e de ter dividido estes 10 dias tão difíceis e mágico ao mesmo tempo. Com certeza nos vemos de novo na estrada, let’s be happy! hehehhe beijos e boa viagem!

      Responder

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *