Vamos aos extremos!

Uma coisa que sempre me impressiona nas minhas viagens são pais que viajam com crianças.  Eu falo de um casal que eu encontrei com um bebê numa trilha para uma geleira na Nova Zelândia ou um outro jantando comida de rua com a filhinha na calçada da San Kao Road em Bankgok. Na maioria, são europeus. Este fato me intriga por que apesar de eu não ter filhos, o que estou acostumada a ver no Brasil é que viagem com criança pequena é sempre para resort ou hotel fazenda.

Essa semana eu conheci uma família de viajantes, no mínimo, inusitada.

Eu estava num ônibus em Hanoi, saindo do aeroporto, quando entra um casal com duas menininhas lindas que depois fui descobrir que uma tem 4 e a outra 2 anos. Fiquei olhando para eles e não sei o que mais me chamava atenção, se era o simples fato deles estarem ali comigo naquele ônibus local, se era o tamanho das 2 mochilas (consideravelmente pequenas para quatro pessoas), se era a animação das meninas ou se era o fato da mãe estar grávida.

Acho que de tanto eu ficar olhando, começou a rolar um papo. Eles são americanos, do Texas, e viajam juntos há uns 5 anos desde que se conheceram na Alemanha. De lá para cá, nasceram as duas meninas e o novo bebê parece que é para maio, eles ainda não foram ao médico (??). Mas pretendem voltar para os USA para o bebê nascer por lá, fizeram isso no caso das outras filhas e esperam o bebê completar 6 meses para cair na estrada novamente. Neste exato momento , estão completando 1 ano de viagem só aqui na Ásia.

Eu sei que a primeira pergunta que deve estar rolando aí é “mas de onde eles tiram grana??”,  já que sempre achamos que dinheiro é meio para tudo. Mas tenho certeza que a maioria das pessoas que estão lendo este post, inclusive quem escreve, não toparia uma vida assim com os filhos mesmo se tivesse muita grana. Pois a gente pensa assim: e a escola? e se ficar doente? e se comer algo estragado? e se…? e se…?

Mas deixando esta questão do dinheiro um pouquinho de lado, o que eu achei realmente interessante neste casal  é a forma leve de criar as crianças. Descemos do ônibus e enquanto o pai negociava uma corrida de táxi, uma das meninas foi para o colo de um taxista, a outra brincava com os banquinhos de uma vendedora ambulante, depois pararam para comer um pão doce vendido ali na rua. Eu só observando e pensando que se eu fosse a mãe, provavelmente estaria com uma criança grudada em cada braço e pensaria mil vezes antes de comprar aquele pão e dar para as meninas. Deixar ir no colo de um estranho? Nem pensar.

Este casal está no extremo de uma concepção de estilo de vida e de criação dos filhos. Para eles, funciona. Talvez para você também, para mim não iria funcionar apesar da minha admiração.

Entretanto, eu adoro olhar extremos.  Eles nos ajudam a tentar achar um meio do caminho, onde estaria o equilíbrio dessa estória, se é que ele existe. Em diversas situações de nossas vida podemos estar vivendo em extremos e achando aquilo normal. Um exercício bacana é tirar a lente do julgamento, da crítica, e olhar o que a pessoa da outra ponta está fazendo e tentar se posicionar nesta linha imaginária.

Pode ser que a gente descubra algumas coisas bem interessantes, inclusive que a vida pode ser muito mais simples e divertida do que a gente imagina.

13 Comentários Vamos aos extremos!

  1. Sebastião Corrêa 17 de janeiro de 2016 às 09:42

    Camila, como disse anteriormente, seus textos deveriam virar um livro.
    Nas suas narrativas você consegue nos transportar para o momento do fato acontecido, aquele lance do livro onde você se coloca no lugar do escritor/personagem conseguindo formar uma imagem do conteúdo escrito. Escrever é uma percepção do espírito, li esta frase em algum lugar e creio que ela traduz exatamente o que estou tentando colocar.
    Quanto ao tema, realmente o nosso conceito é atrelado ao que herdamos e na nossa zona de conforto jamais teria espaço em nossas mentes para nos envolver com a “educação” desses americanos. acredito até que o modelo de sociedade idealizado por nós nos cega para outros conhecimentos , onde a felicidade e o relacionamento também são aprendizados e podem muito bem ocupar espaço maior nas nossas teorias de educação e sobrevivência.
    Belo texto que você nos proporcionou.
    Abração fique com Deus

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    1. Camilla Albani 24 de janeiro de 2016 às 08:59

      rs fico feliz que gosta dos textos, quem sabe não vira uma profissão? eu iria amar…adoro escrever 🙂 beijo e obrigada!

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  2. Juliana 17 de janeiro de 2016 às 11:32

    Que lindo texto, Cami.

    O exercício da empatia pode transformar nossas vidas.
    Cada encontro transformador que você está tendo. Incrível!
    Beijos de quem te admira pacas!!

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    1. Camilla Albani 24 de janeiro de 2016 às 08:57

      obrigada Ju!!! saudades 🙂

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  3. Ana Carla 18 de janeiro de 2016 às 08:08

    Vamos lá amiga. Primeiro que boa oportunidade para apurar olhares. A questão dos extremos é algo puramente referencial do observador. Grande chance do casal achar estranho as famílias que seguramente os filhos, que saem menos de casa e carregam tantas coisas.Também partilho um pouco do seu ponto de vista, não seria tão radical como eles na questão disse filhos, mas com certeza proporcionaria alguns momentos mais desapegados.

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    1. Camilla Albani 24 de janeiro de 2016 às 08:56

      sim, é bom ver que tem gente que faz diferente né? e assim reavaliar alguns vícios, manias, crenças, etc, etc. beijokas!

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  4. Ricardo 18 de janeiro de 2016 às 13:42

    Oi Camila,
    Bem interessante essa experiência.
    Apesar de não concordar com o esteriótipo de férias com crianças pequenas ser sempre resort ou hotel fazenda (já fui aos dois com as crianças, mas sempre por períodos pequenos. Não me imagino mais de 1 semana “trancado” num desses locais por melhor que seja a infra), também esse extremo de viagem pelo mundo não me serviria.
    Pra mim a grande questão seria sempre a avaliação de riscos, e no meu olhar de Pai os riscos passaram a se destacar. Outro ponto que vejo nos meus filhos é que eles necessitam tb de coisas conhecidas. Em todas as nossas viagens, em algum momento, eles sentem necessidade de ficar mais “em casa” (mesmo que essa casa seja o hotel ou o apartamento alugado pelo AirBnB) e retornar para uma local conhecido e confortável.
    De qquer forma tb gosto da observação desses estilos de vida BEM diferentes, isso ajuda a pensar sobre o nosso estilo de vida e se não existe “alguma coisa” para ajustar.
    Bjs e continue nos alimentando com as suas experiências.

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    1. Camilla Albani 24 de janeiro de 2016 às 08:55

      Oi Souza! Obrigada pelos comentário 🙂
      Não quis de maneira alguma generalizar que todo mundo com criança só viaja para Resort e Hotel Fazenda, mas é que no meu olhar de fora vejo isso com mais frequência do que viagem mais aventureiras com os pequenos…eu não sei o que é certo ou errado…acho que se eu fosse mãe ia ser bem bem stressada com segurança, alimentação, estas coisas que quando se está sozinha numa viagem dá para ir até um limite maior, por isso esta família me intrigou tanto rsrs Mas pode deixar que continuarei postando por aqui as experiências!!! Bjs

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  5. guto albani 27 de janeiro de 2016 às 19:17

    Cá, acho que não conseguiria seguir exemplo destes americanos!!! Você me conhece!!! Lembra do cachorrão !!!!! kkkkk TE AMOOOOOOOO

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    1. Camilla Albani 27 de janeiro de 2016 às 21:28

      nem você, nem eu, nem a Lú! tivemos outra criação e é difícil mudar…mas é bom olhar outras formas de vida, né? amo vc tb, de montão. beijos

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  6. Luciano 30 de janeiro de 2016 às 23:47

    Recebi um casal de amigos que vieram da Argentina de bike com uma filha de 6 meses…rs… Estão na Alemanha atualmente…

    Belo texto, belas experiências… prazer compartilhar isso com vc, grato..

    abraços, peninhageo. (Luciano)

    Responder
    1. Luciano 30 de janeiro de 2016 às 23:48

      Recebi um casal de amigos que vieram da Argentina de bike com uma filha de 6 meses…rs… Estão na Alemanha atualmente…

      Belo texto, belas experiências… prazer compartilhar isso com vc, grato..

      abraços, peninhageo. (Luciano)

      Responder
    2. Camilla Albani 3 de fevereiro de 2016 às 01:49

      nossa de bike! isso sim é aventura! eu sempre vejo viajantes de bike por aqui, na NZ vi muitos muitos, eu tiro o chapéu para esta galera mas eu não encararia não..rsrs bjs!

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